Por Marina Maki Moriya

Os estudos sobre a fisiologia das plantas nos possibilita de entender as reações que estão ligadas às atividades metabólicas de acordo com o manejo e o cultivo de plantas tanto selvagens como nativas onde fica claro que  metabolismo das plantas pode variar de acordo com sua fisiologia, esses metabólitos são divididos em  primário e secundário. Os metabólitos primários são compostos fundamentais, ligados à sobrevivência da planta, já os metabólitos secundários são compostos químicos que caracterizam e diferenciam as plantas, entre as plantas e o ambiente onde ela habita. (Jesus et. al, 2013) O meio onde a planta se encontra, a temperatura de onde ela está e os macro e micronutrientes que estão dispostos a ela, entre outras características, influenciam diretamente nas características dos metabólitos secundários. Por exemplo, estudos demonstram que o estresse hídrico aumenta os níveis dos metabólitos, especialmente dos flavonoides e  contribui diretamente para o acúmulo metabólito em plantas medicinais e aromáticas. (Gobbo-Neto e Lopes, 2006) A seca é um exemplo e aumenta a concentração de metabólitos secundários mas essa característica é variável pois, dependente do grau de estresse e do período fisiológico em que ocorre, analisados a curto prazo parecem levar a um aumento da produção desses metabólitos, porém em longo prazo é observado o efeito oposto. (Lopes, 2009) Plantas que sofrem deficiência hídrica ativam diferentes mecanismos de resistência, para que possam se  adaptar a esse tipo de estresse. É uma estratégia de sobrevivência das plantas pois em ambientes secos pelo ajuste osmótico, via acúmulo ou compartimentalização de solutos. O estresse hídrico leva, em muitos casos, ao acúmulo de metabólitos secundários nos tecidos vegetais, porém, gerando consequências como o atraso no desenvolvimento da planta. (Jesus et. al, 2013)
Outro fator considerável  é a temperatura, as alterações que ocorrem nas variações anuais, mensais e diárias na temperatura exercem  influência no desenvolvimento das plantas, afetando, portanto, a produção de metabólitos secundários, mas esse fator vem acompanhado de outras características como altitude e sazonalidade, porém são escassos os estudos sobre cada influência isoladamente e sua influência na produção de metabólitos secundários.(Riquinho e Hennington, 2012)
A radiação ultravioleta possui influência nas mais diferentes espécies de plantas, elas estão adaptadas a enormes variações de intensidade e quantidade de luz.  Porém há um crescente  aumento de radiação ultravioleta, que acontece pela destruição da camada de ozônio. O que possui uma correlação bem estabelecida entre intensidade de radiação solar e produção de compostos fenólicos, como flavonóides, taninos e antocianinas. Isso pode ser explicado, no caso de flavonóides e fenilpropanóides correlatos, por ser um mecanismo de defesa contra a fotodestruição ao absorver a energia solar, diminuindo a danificação dos tecidos mais internos pela radiação UVB. (Riquinho e Hennington, 2012) Para os flavonóides, que são encontrados em tecidos superficiais, como epiderme, cutícula e material epicuticular e usado pelas plantas como filtros solares, também podem atuar como antioxidantes e “radical-scavengers”.
No plantio, a adição de nutrientes é em sua maior parte empregada para aumentar a produção de biomassa. (Jesus et. al, 2013) Os nutrientes impactam mudanças na disponibilidade de produção de metabólitos secundários, há um certo padrão mas não é possível estabelecer critérios claros e estáveis reconhecidos pelas influências no desenvolvimento vegetal, porém poucos estudos mostram relações entre pH ou microorganismos do solo e metabolismo secundário. (Lopes, 2009)
O metabolismo secundário de plantas pode variar dependendo dos fatores citados e em outros tantos fatores, a constância de concentrações de metabólitos secundários e sua padronização  é uma exceção. Ou não, há estudos que mostram que algumas espécies não apresentam alterações metabólicas independente dos fatores extrínsecos.(Riquinho e Hennington, 2012)
Os fatores comentados aqui, bem como outros fatores, que podem afetar o conteúdo final de metabólitos secundários em plantas medicinais, condições de coleta, estabilização e estocagem, possuem influência na qualidade e no valor terapêutico de preparados fitoterápicos.(Lopes, 2009) Ferramentas como o controle de qualidade e a padronização de fitoterápicos têm um papel importante na obtenção de produtos com padronização e  composição e propriedades terapêuticas esperadas. (Jesus et. al, 2013)
É notório a importância dos estudos de adulterações e contaminações e necessidade das análises químicas de plantas destinadas ao uso terapêutico, sabendo dos inúmeros fatores que podem influenciar nos metabólitos secundários e consequentemente na eficácia terapêutica, é claro a necessidade dos estudos buscando detectar as condições e melhores práticas de cultivo e  coleta a fim de atingir concentrações desejáveis de princípios ativos.(Lopes, 2009) Se faz  necessário um rigoroso controle de qualidade garantindo a padronização na composição de metabólitos secundários no fitoterápico. Reconhecer e compreender essas variações poderão auxiliar na ampliação dos conhecimentos sobre interações fisiológicas das plantas com o ambiente e os fatores externos que a influenciam. (Riquinho e Hennington, 2012) 

JESUS, N.A.; SUCHARA, E.A. Cultivo de plantas tóxicas e a ocorrência de intoxicações em domicílios no município de Barra do Garças. Revista Eletrônica da UNIVAR, 2013.

Leonardo Gobbo-Neto e Norberto P. Lopes. PLANTAS MEDICINAIS: FATORES DE INFLUÊNCIA NO CONTEÚDO DE METABÓLITOS SECUNDÁRIOS Universidade de São Paulo,  Ribeirão Preto, SP.  Brasil, 2006.

LOPES, R.K. et al. Atividades biológicas e toxicidade das plantas ornamentais no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Biociências, 2009

RIQUINHO, D.L; HENNINGTON, E.A. Saúde, ambiente e condições de trabalho no cultivo de tabaco: revisão de literatura. Ciência em Saúde Coletiva, 2012.